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Reduzindo equívocos em seleção de pessoas




Com certa frequência converso com empresários de pequeno e médio portes que se queixam de suas dificuldades e frustrações relacionadas à Gestão de Pessoas. Com o desenrolar do assunto, várias vezes identifico falhas de seleção que poderiam ter sido evitadas caso o processo seletivo fosse realizado de forma criteriosa e sistemática. Em muitas dessas organizações, o processo seletivo é realizado pelo próprio empreendedor ou o gestor da área que possui uma vaga. Por falta de tempo ou conhecimento das técnicas, frequentemente a seleção é realizada de forma superficial e por isso está sujeitas aos seguintes equívocos:

  • Contratar somente através de indicação, sem processo seletivo – indicações são ótimas fontes de recrutamento e a opinião de quem indica é uma informação relevante, mas não garante a adaptação e não deve dispensar a avaliação acurada do candidato. Caso contrário, vigora o raciocínio que generaliza o desempenho apresentado em outro ambiente: “se o candidato foi um ótimo profissional na empresa do meu amigo ou parente, também o será aqui.” Ocorre que as organizações são sistemas com cultura e funcionamento diferentes, o profissional fará parte de outra equipe e estará sob a responsabilidade de outra liderança, elementos que podem influenciar sua performance. Meu conselho é colocar uma estrelinha no currículo que veio através de indicação, conversar com quem indicou e seguir normalmente com o processo que pode incluir provas, simulações, dinâmicas de grupo, discussões, entrevistas, etc.

  • Contratar com base na intuição – não aconselho desconsiderar o que diz a intuição, porque muitas pessoas afirmam se beneficiar dela ao tomar decisões, mas dada a sua subjetividade, considero temerário dar a ela grande peso na hora de selecionar porque se pode incorrer em vieses. Quando uma intuição em relação a um candidato se apresenta, minha sugestão é fazer como no item anterior: estrelinha no currículo e processo seletivo completo.

  • Contratar para “ajudar” pessoa idônea – num país assolado pela corrupção temos o ímpeto de recompensar pessoas idôneas oferecendo-lhes um emprego e ao mesmo tempo nos cercarmos delas para garantir a ética que prezamos. Porém, ser idôneo é apenas uma das características que você busca num profissional. Para diminuir o risco de uma contratação, outras competências e requisitos também devem ser analisados e aquele que demonstrar maior aderência ao perfil, terá maior probabilidade de ser uma escolha adequada.

  • Contratar quem mais precisa do emprego – muitas vezes nos comovemos com a situação de quem passa necessidades por estar desempregado, mas essa não deve ser a premissa para dar-lhe um emprego. A empatia é um sentimento valoroso, mas neste caso pode comprometer a eficácia da seleção. Podemos fazer algo pela pessoa auxiliando-o a elaborar um currículo mais atrativo e encaminhando-o para a nossa rede de contatos, além de indicar-lhe maneiras de ficar informado sobre as vagas.

  • Se deixar seduzir pelo candidato – não me refiro à sedução no sentido sexual da palavra e sim na habilidade que algumas pessoas tem de responder o que desejamos ouvir e nos impressionar com seu carisma. O fato de estar pressionado para fechar a vaga deixa o entrevistador mais vulnerável a sedução porque ele tende a dar ênfase aos pontos de concordância entre o perfil do candidato e o perfil desejado, sendo mais condescendente em relação aos pontos de discordância. Quando isso acontece, o entrevistador inexperiente tende a transparecer para o candidato que foi seduzido, seja pela atenção especial que demonstra de várias formas, seja revelando informações que normalmente não o faria, isso quando resiste ao ímpeto de fazer uma proposta salarial antes de finalizar o processo com os demais candidatos. Mesmo profissionais que já trabalham há bastante tempo com seleção são seduzidos, a diferença é que eles muitas vezes conseguem identificar o fenômeno, mesmo que posteriormente à entrevista, e buscam retomar a imparcialidade.

  • Contratar quem demonstra paixão – “Sempre sonhei trabalhar aqui.” – essa afirmação encanta empresários, afinal ela declara a admiração pelo projeto profissional do potencial empregador que geralmente encerra uma história de dificuldades e superações, estabelecendo conexões imediatas com eles. A identificação é inevitável e costuma ser difícil para o profissional de seleção dissuadir o empresário de contratar um candidato apaixonado pela sua obra. Muito cuidado ao ouvir que o candidato sonha em trabalhar na sua empresa porque isso, na maioria das vezes significa que ele possui uma visão idealizada dela e, quando maior a idealização, maior a decepção ao perceber que como as demais, a sua organização não é perfeita e há muito trabalho a fazer, parte dele bastante enfadonho. Se o ramo de atividade de sua empresa atrair pelo glamour, como uma assessoria de eventos sofisticados, pela informalidade, como agência de publicidade ou pela causa, como institutos e organizações não governamentais, sugiro redobrar a sua atenção.

  • Acreditar na afirmação do candidato de que aceita remuneração abaixo de sua pretensão ou do último salário – sobre essa questão estou absolutamente convicta. Quando faz essa afirmação o candidato realmente acredita que é capaz de baixar seu padrão de vida e trabalhar satisfeito apesar da remuneração reduzida, porém, após recobrar o equilíbrio financeiro e colocar as contas em dia devido ao período desempregado, ele percebe que não pode mais acompanhar seus amigos nos restaurantes habituais, precisa abdicar de antigos prazeres e rever suas prioridades. Essa condição, que significa para o profissional uma regressão, afeta sua autoestima e ele passa a reclamar da política de remuneração da empresa contaminando o clima, ou fazer movimentos para conseguir outra colocação. Em ambos os casos, há um prejuízo para o empregador. Exceções ocorrem quando há um ganho em outra esfera que é particularmente importante para o candidato como a redução de sua jornada de trabalho que permite acompanhar o crescimento de filhos pequenos ou redução do stress e consequente ganho em qualidade de vida.  Mas esses casos devem ser investigados e ponderados cuidadosamente a fim de reduzir o risco.

Observando essas dicas e dando ao processo seletivo o cuidado e importância que ele merece, é possível melhorar o nível de acerto em suas contratações e garantir o primeiro passo de relação profissional satisfatória para ambas as partes.

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